A área da educação afeta, de maneira direta e indireta, muitos aspectos do desenvolvimento social e econômico de um país. Quando essa área se desenvolve, todos se beneficiam; quando ela passa por mudanças, todos são afetados. Por isso, é extremamente necessário falar sobre a disruptura na educação.

Em um dos nossos mais recentes episódios do CorpUpTalks tivemos a oportunidade de entrevistar o convidado Enor Tonolli, gestor do Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da Universidade de Caxias do Sul  – TecnoUCS, onde ele fala, justamente, sobre a inquietude e o desejo de transformar a realidade à sua volta.

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Nessa conversa, Tonolli expõe de que forma a disruptura na educação já está acontecendo e muitos estão subestimando seus impactos. Abaixo exploraremos um pouco esse fenômeno e sua relação com os temas de empreendedorismo e inovação:


A sala de aula imune ao tempo

Se pararmos para  observar o modo de produção de bens manufaturados no século XVIII e o modo de produção atual, chegaremos a uma conclusão bastante óbvia: as coisas mudaram dramaticamente de lá pra cá. Mesmo que as fábricas já existissem, as linhas de produção atuais, automatizadas e frequentemente sem nenhuma intervenção humana, assumiram formas e dinâmicas completamente diferentes. Porém, sabe o que não mudou nada nesse mesmo período? A sala de aula. E esta realidade ficou perfeitamente ilustrada na fala de Tonolli:

“Se eu trouxesse um artesão do século 18 e colocasse ele dentro de uma linha de produção robotizada hoje, ele levaria um choque do avanço entre o século 18 e agora o início do século 21. Ele certamente ficaria impactado sobre como se fazia uma produção artesanal naquela época e a produção absurdamente automatizada e robotizada de agora. Se a gente pegasse uma criança que tivesse brincando naquela época e a colocasse em um parque, dentro da Disney, ou de uma montanha russa, de novo, essa criança seria impactada de uma maneira absurda. Mas agora, se a gente pegasse um estudante dentro de uma sala de aula dentro do século 18 e colocasse dentro de uma sala no século 20 ela não perceberia a menor diferença.”

Mas qual é o problema então, por que os outros setores sofreram mudanças tão drásticas e a educação parece parada no tempo?

“O grande problema é que esse modelo é focado no conhecimento específico que deve ser transferido ao aluno, e não no desenvolvimento das competências necessárias para que os indivíduos possam aprender e pensar criticamente sozinhos”, afirma Tonolli.

E ele explica que antes de pensarmos em ver mudanças, é preciso passar por uma mudança de paradigma, e adotar um modelo de educação que preparado para formar autodidatas.

Entre outros motivos, Tonolli afirma que uma das razões para as salas de aula permanecerem inalteradas com o passar dos anos, está a própria vaidade e o ego das pessoas à frente da academia, bem como a falta de procura de uma formação mais libertadora por parte dos alunos.

Como resultado, mesmo que exista a possibilidade de estudar fora do ambiente tradicional (graças à ampla disseminação da informação pela internet e ao desenvolvimento de novas tecnologias), fica uma dúvida: até que pontos as pessoas são realmente capazes de empregar esses recursos para aprender sozinhas? Estamos prontos para o ensino EAD?


A disruptura na educação

No exterior, por outro lado, a coisa já andando a passos mais largos do que no Brasil. E embora a sala de aula tradicional não tenha sido completamente eliminada, já existe sim um processo de disruptura no modelo de educação conforme conhecemos. O que se observa é uma postura diferente em relação ao aprendizado, ou, usando um termo bem característico do mundo do empreendedorismo: o mindset é outro!

São aspectos como propósito, metas, vontade, comprometimento e resiliência que fazem a diferença na educação em outros países. E são esses mesmos aspectos que fazem a diferença para projetos de empreendedorismo e inovação bem-sucedidos. 

Além disso, o papel do professor também está mudando. Mais do que um mero transmissor de informação, ele se desloca para a posição de um mentor, que ajuda o estudante a descobrir caminhos.

É preciso tomar cuidado para não culpar a escassez de recursos pela falta de resultados, seja na educação ou no mundo dos negócios. Embora esse seja um fator de possível impacto, existe algo que vem muito antes, e que pode ser o verdadeiro obstáculo para o desenvolvimento: a falta de predisposição a se expor, se arriscar, sair da zona de conforto e fazer o melhor possível. No final das contas, erros acontecem. Porém, eles são uma das principais fontes de aprendizado. Então, em vez de temê-los, é preciso aceitá-los!


Agora nos conte, você tem visto por aí iniciativas disruptivas na educação, ou uma mudança no mindset dos atores envolvidos no processo de ensino e aprendizado? Entre em contato se quiser bater um papo sobre este tema!