Governança no Laboratório de Inovação da Natura

Governança no Laboratório de Inovação da Natura

Como implementar regras de governança no seu laboratório de inovação? Diana Guimarães, Gerente de Inovação Social na Natura, explica como a empresa fez isso.

Uma espécie de incubadora para estimular a criatividade, a colaboração e a execução prática. Assim é um laboratório de inovação. Um espaço com estrutura aberta, metodologia diferenciada, que permite o contato com novas ideias e soluções para dores, sejam elas dos clientes ou operacionais. Tudo isso com o auxílio da tecnologia.

Os Labs são experiências completamente diferentes da empresa como se conhece, daquela tradicional divisão em setores com profissionais separados por área de conhecimento, sob a hierarquia de um único chefe que dá as ordens de maneira unilateral. São empresas verticalizadas que sempre existiram com foco no retorno financeiro.

Esse tipo de organização, no entanto, tem perdido mercado para os novos modelos de negócio que apresentam um conceito de responsabilidade social, com papel ativo e consciente na comunidade global. 

Mas e as empresas tradicionais, como podem se adaptar aos rumos que o mundo dos negócios tem tomado?

A aura de criatividade que envolve o novo ambiente ao transmitir uma mensagem de liberdade, com suas técnicas de ideação, de certa forma, estimulam a distância dos valores burocráticos e, claramente, a palavra disruptura que carrega um certo rompimento com padrões.

Isso pode criar alguns problemas para a organização que começa o funcionamento de um laboratório, caso não sejam institucionalizadas regras e disciplinas adequadas ao novo ambiente e às pessoas.

É aí que entra a governança. Aquela estrutura de autoridades e processos que decidem sobre alocação de recursos e coordenam as atividades. É a unidade da empresa em torno dos objetivos por ela definidos.

Mas aí, vem as dúvidas: será que os mecanismos de governança fornecem autoridade suficiente ao laboratório para fazer coisas novas?

As pessoas envolvidas na governança do laboratório têm familiaridade e conhecimento prático das metodologias, técnicas e abordagens que serão utilizadas?

Pois bem, a governança combina a capacidade de pensar estratégias para a organização ao papel de mediação entre todas as partes envolvidas: colaboradores, sócios, gestores. O processo de mudança vai transformar a governança corporativa em governança de inovação. Ou seja, o foco da empresa deverá ser a inovação como cultura, como tema prioritário, tornando os processos criativos mais fluídos dentro da organização.

Em um dos nossos mais recentes episódios do CorpUp Talks tivemos a oportunidade de entrevistar Diana Guimarães, Gerente de Inovação Social na Natura e líder de projetos com foco na melhoria do desenvolvimento humano das Consultoras Natura e da rede da Natura no Brasil. Nessa entrevista, ela nos contou um pouco sobre o movimento de inovação social na companhia, e explicou como funcionou o processo de implementação do lab na empresa.

Clique aqui se deseja conhecer esta entrevista na íntegra.

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“Quando você fala de governança, hoje a gente tá dentro da diretoria de relacionamento da Natura, o que é muito favorável para gente porque muitas das coisas que a gente testa vão ser escaladas por áreas da diretoria, isso torna nosso processo mais fluido, a gente tem muita autonomia, nossa diretora super confia no nosso trabalho, fica muito fácil de tocar o dia a dia. Por outro lado, como o time tem muita autonomia, todos os nossos estagiários, analistas, coordenador, gerente júnior, todo mundo tem liberdade de tocar seu processo como dono, do começo ao fim. Eu não valido nada, a coisa flui.”

Apesar de toda autonomia dada ao time e a agilidade nos processos, Diana relata ter perdido um pouco da visão do todo, e que sentia falta de saber se um time estava sobrecarregado, por exemplo, ou se ela poderia realocar forças para outros projetos. Então ela explica a solução criada pela empresa:

“A gente voltou com alguns pequenos rituais que parecem burocráticos, mas não tem sido, é 30 minutos de alinhamento semanal de call, onde o time estiver e a gente tem 3 minutos para cada um falar um pouco sobre o aprendizado da última semana e o que tem pela frente e a gente vai se dividindo, ajustando a agenda de todo mundo, otimizando. Volta e meia a gente se depara com reuniões ou convocações que mais de uma pessoa recebeu e a gente acaba conseguindo se dividir, administrar melhor e eu hoje tenho essa visão do todo como uma gestão de quais são as iniciativas que estão rondando, qual a expectativa em relação a cada uma delas para mais ou menos.”

Para isso funcionar com fluidez, a empresa deve realizar o mapeamento de processos, o roteiro das principais atividades, com suas principais regras e o tempo que cada demanda. No Lab de inovação, além de criar novos projetos, é preciso criar soluções criativas para problemas antigos.

Também será preciso definir os objetivos a curto e longo prazo. Apesar de parecer uma etapa da governança tradicional, na governança em inovação, os prazos serão menores, saindo de 5 a 10 anos para 2 anos, com metas mais palpáveis e horizontes com mais certezas.

O orçamento é outro ponto crucial. Não adianta dar todos os passos em direção à inovação, transformar a cultura da empresa, criar o laboratório e estimular os profissionais a inovarem, se não houver orçamento para fazer o laboratório funcionar.

O exemplo da Natura ratifica a política de governança de inovação.

“Não tive que me preocupar em brifar para área que vai receber o que foi validado para ela colocar no orçamento do ano que vem que vai precisar escalar isso, isso aconteceu de um jeito muito natural”.

“A pessoa da área que estava participando do nosso teste viu o quanto o negócio estava dando certo, que estava acompanhando os resultados e que sabia que isso ia ser maravilhoso, depois de levar para todas as consultoras do Brasil já garantiu que no nosso orçamento do ano que vem dessa iniciativa estivesse contemplada para ter a escala que a gente espera, então basicamente a gente tem nesse orçamento, a garantia de que a gente vai ter bastante teste”, completou.

No laboratório, a governança passa pela certeza de que o erro faz parte do acerto, e que ele deve ser encarado como um degrau a ser ultrapassado, o desafio à frente. Diana conta um pouco da experiência na Natura:

“A aceitação de que vai dar errado, vai ter momento de caos, teve vários momentos que eu falei: meu Deus, que caos, não estou controlando nada, não sei de nada, o que está acontecendo com meu time? Esse caos, eu abracei ele porque ele é necessário e a gente aprende com ele e você ressignifica e continua nesse processo evolutivo e lembrando que a gente pode errar e deve errar, faz parte do processo e você vai corrigindo. Acho que muitas empresas se propõem a começar com processos de inovação e desistem nesse momento de caos porque acham que não tá funcionando e pelo contrário, acho que nesses momentos de caos você consegue aprender e evoluir”, concluiu.

Desse jeito, o movimento de inovação e a gestão do laboratório tem funcionado bem na empresa, e uma das razões do sucesso, Diana atribui ao corpo diretivo, que soube transformar a governança corporativa em uma governança de inovação:

“Foi fundamental ter o apoio das vice-presidências, da diretoria. Todos estavam acreditando que esse era o modelo ideal mesmo e eles acreditaram na gente com essa proposta que a partir desse lugar, a gente conseguiria ser mais ativado e fazer de fato inovação social, saindo de um patamar de número de projetos com expectativas de impacto e aumentá-las”.

E então, você gostou desse artigo? Quer aprender a implementar uma política como essa na sua empresa? Entre em contato para mais informações e continue nos seguindo para mais informações como essa.

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