Sem a cultura digital, a equipe fica privada da percepção dos movimentos de mercado


Que a transformação digital é urgente, não há dúvidas, mas implantar um novo modelo não é tarefa fácil. Alguns até acreditam que basta investir em tecnologias de processos e marketing para dizer que a empresa é digital. Essas, no entanto, são apenas ferramentas de um movimento que precisa, antes de qualquer coisa, focar na mudança da cultural organizacional.

Claro que os sistemas e software são elementos importantes, que devem fazer parte da inovação, mas não devem ser nem o objetivo e nem o ponto principal. Em verdade, as mudanças vão além da tecnologia, passam por atitudes, comportamentos e posicionamentos em relação a práticas do dia a dia, é o que se conhece como mindset digital.

E sabe quando isso acontece? Quando os hábitos e costumes relacionados a inovações tecnológicas se incorporam à rotina da organização, tornando-se algo natural e fluente.

Portanto, mesmo que a tecnologia não seja o ponto central em um processo de transformação digital, será por meio dela que os comportamentos e as posições vão mudar. Por isso, em primeiro lugar, será necessário alterar o espaço dado à abordagem da tecnologia.

Qual é a força que ela terá? Esse deve ser o ponto de partida. Isso porque são esses impactos que vão potencializar as mudanças comportamentais, mesmo em empresas que já nasceram digitais, podem não ter se transformado digitalmente por não terem conseguido absorver as evoluções geradas pelo pensamento digital.

Isso não quer dizer que a organização tenha que adquirir todas as possibilidades de tecnologia que o mercado oferece, mas necessariamente aqueles que sejam úteis ao core business do negócio, ou seja, àquelas diretamente relacionados ao produto ou serviço, carros-chefes da empresa.

A atuação da alta direção da empresa vai definir muito sobre a mudança que se pretende instalar. É ela que precisa adquirir conhecimento sobre a transformação digital para poder vislumbrar quais serão os impactos da aplicação das novas tecnologias na operacionalização dos negócios. Com isso, a cúpula vai poder observar oportunidades e ameaças que possam interferir no processo de modificação.

O CTO do Paraná Banco, David Ruiz, explica que foi convidado em março deste ano para colaborar com a transformação digital da instituição. “Tenho uma grande missão que é transformar o Paraná Banco, que é um banco aí com seus 40 anos, então quando a gente fala de software legado, temos que trazê-lo para o momento do digital, então é um desafio bem interessante”.

Outro aspecto importante a ser implantado deve ser a mudança do modelo piramidal de hierarquia organizacional, onde as áreas são divididas em departamentos e as habilidades são guardadas à setorização, em equipes de trabalho multifuncionais.

David conta ainda como foi sua experiência ao chegar no meio do processo de transformação da cultura organizacional.

“A gente conseguiu acelerar, ou seja, transformar aquele desenvolvimento tradicional de ‘ah, eu tenho uma nova demanda, tenho time de sustentação e enxergar o banco em departamentos’ e quando a gente olha para transformação digital, é basicamente você trabalhar, dar solução de fim a fim, então você quebra essas barreiras e no momento que você quebra essas barreiras, dores vão surgir, aÍ cabe justamente o desafio do Lean, você focar naquilo que é mais importante e garantir essa entrega de ponta a ponta”, explicou.

Não é porque a revolução é digital que ela deve ser confiada apenas à equipe de Tecnologia da Informação (TI). Se a ideia é que a tecnologia permeie todos os processos, é preciso que a totalidade dos colaboradores e stakeholder faça parte dessa transformação. Trata-se do engajamento de todas as áreas em torno da mudança de mente do modelo tradicional para o digital.

Um aspecto fundamental é familiarização dos colaboradores com a ambiência digital. Ela poderá ser auxiliada pela adoção de ferramentas tecnológicas interativas, que vão contribuir para o trabalho diário com colegas e parceiros de negócio da empresa, gerando transparência e rompendo barreiras hierárquicas.

O caminho da automatização também deve ser pensado também para eliminar atividades repetitivas e que agregam pouco valor aos processos. Com isso a equipe ganhará mais tempo para desenvolver outras tarefas, inclusive a criatividade, para gerar ideias inovadoras. Assim como para aprender a lidar com os processos organizacionais, na melhoria deles e na gestão do negócio.

Portanto, se sua empresa ainda não passou por essa transformação, as mudanças se fazem urgentes, uma vez que, atualmente, para tornar a experiência do cliente personalizada e simplificada, as tecnologias digitais precisam estar incorporadas ao seu negócio. Elas vão proporcionar uma jornada de compras mais ágil, eficiente e transparente, elevando o nível de satisfação do consumidor.

Sem a cultura digital, sua equipe fica privada da percepção dos movimentos de mercado, das mudanças comportamentais dos clientes e das oportunidades de negócios que podem ser desenvolvidas para prover maior continuidade e sustentabilidade para a sua organização.

David Ruiz foi um dos entrevistados no CTOTalks, onde nos contou, em detalhes, de que forma tem conduzido as rotinas de trabalho e demandas de tecnologia no Banco Paraná. Clique aqui se deseja conhecer esta entrevista na íntegra!


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Categorias: NEGÓCIOS